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Proposta de fundo global para o clima ganha força

da Folha Online

A proposta de um fundo global para o clima avançou na conferência mundial de Copenhague. O compromisso coletivo é visto por muitas delegações –Brasil inclusive– como a saída possível do impasse sobre quem vai bancar a adaptação ao aquecimento global e a redução dos gases-estufa, informa a reportagem dos enviados especiais a Copenhague Luciana Coelho, Claudio Angelo e Marta Salomon (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

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Noruega e México lançaram na noite de segunda-feira (14) a proposta conjunta de um Fundo Verde, alimentado por cofres do Estado e um mercado público de crédito de carbono. A proposta ganha fôlego conforme o relógio avança para o final da conferência, na sexta.

Em entrevista à Folha, o negociador-chefe do México e coautor da proposta de criação do fundo em 2008, Fernando Tudela disse que “é preciso mudar o paradigma de doações e receptores como se fossem esmolas”. Para ele, a contribuição dos países em desenvolvimento é necessária para assinalar a responsabilidade coletiva.

A proposta é a criação de um fundo global pago pelos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento no financiamento de programas de redução de emissões, eficiência energética e adaptação à mudança climática.

A maioria dos países desenvolvidos é a favor de financiamento climático interino de cerca de US$ 30 bilhões entre 2010-2012 para ajudar os países mais pobres, muitos dos quais afirmam que esse valor é insuficiente.

Debate climático

Três dos pré-candidatos ao Planalto em 2010 transformaram o impasse nas negociações do clima numa prévia da disputa eleitoral.

O governador José Serra (PSDB-SP) e a senadora Marina Silva (PV-AC) defenderam que o Brasil contribuísse com US$ 1 bilhão para um fundo de combate à mudança climática.

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) reagiu: “US$ 1 bilhão não faz nem cosquinha”. Para a chefe da delegação brasileira na conferência, uma eventual contribuição do Brasil a um fundo global não ajudaria a promover acordo em Copenhague. “O que acho complicado é que a gente faça só gesto”, disse. “Não vamos cair em propostas fáceis e pura e simplesmente mercadológicas, estamos tratando de coisa séria.”

A senadora Marina Silva apareceu por acaso ao evento no qual Serra era convidado e voltou a defender que o país contribuísse com US$ 1 bilhão para uma “cesta” destinada a financiar ações de adaptação às mudanças climáticas. “Os países emergentes devem fazer aportes porque são grandes emissores também”, avaliou Marina.

José Serra propôs em seguida algo semelhante: a contribuição de US$ 1 bilhão em dez anos a um fundo global. “Para os países desenvolvidos, é uma quantia modesta; para o Brasil, é uma quantia significativa.”

 

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