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O Ceará vai a Copenhague

Em tempos em que se discute sobre desertificação no Nordeste, o Ceará terá vez e voz na Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP-15), que teve início ontem na cidade de Copenhague, capital da Dinamarca. O objetivo do encontro, que reúne delegações de 192 países, é chegar a um acordo global que estabeleça novas metas para a redução das emissões dos gases de efeito estufa na atmosfera.

O vice-governador do estado, Francisco Pinheiro, que já está em Copenhague, fará uma apresentação amanhã sobre processos de desertificação no Ceará, principalmente na região do semi-árido, relacionando-os às alterações climáticas provocadas pelo efeito estufa – fenômeno que tem implicado em elevação das temperaturas mundiais e, no Brasil, tem atingido o Nordeste de forma particular.

“Um dos pontos que serão discutidos aqui (na Conferência de Copenhague) é a criação de um mecanismo de compensação às regiões mais suscetíveis e, consequentemente, àquelas mais atingidas pelos processos de alterações climáticas“, afirma o presidente do Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Eubra), Robson Oliveira. Segundo ele, não só o Ceará, mas o Nordeste brasileiro, principalmente as regiões do semi-árido e do cerrado, são áreas muito sensíveis às alterações climáticas e estão passando por um processo de desertificação em consequência da elevação da temperatura do planeta.

Para Robson, a criação de um mecanismo de compensação financeira poderia, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, beneficiar o Ceará. “Os efeitos desse aquecimento do planeta são visíveis no Ceará. A ideia é que seja criado um fundo internacional através do qual as nações mais poluidoras compensem aquelas nações mais atingidas“, disse ele ao O POVO, por telefone, de Copenhague.

Também amanhã, o diretor geral do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), Elias Fernandes, falará, entre outros assuntos, sobre a importância da segurança alimentar para a consolidação de um desenvolvimento limpo.

Sobre esse tema, o presidente da Eubra – entidade formada por organizações brasileiras e europeias e que atuam na formulação de projetos voltados para o desenvolvimento sustentável – lembrou que, se um estado passa a consumir mais os alimentos produzidos no seu território, economiza-se em transporte de alimentos e, assim, há uma uma redução da emissão de gás carbônico na atmosfera, resultado da queima de combustíveis automotores. “Essa é bandeira que a gente vai defender aqui“. Representantes do Banco do Nordeste e da Universidade Estadual do Ceará (Uece) também estão em Copenhague

Fonte:
Pedro Alves
Especial para O POVO
pedroalves@opovo.com.br

08 Dez 2009 – 01h29min

 

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